Nossa geração está obcecada com números e uma
falsa visão de sucesso que reflete os valores deste mundo, mais propriamente do
que o mundo porvir. Infelizmente, para muitos evangelistas, Jesus Cristo
tornou- se um “produto” que deve ser empacotado e negociado com as mesmas
técnicas que, comprovadamente, obtiveram sucesso no mundo. Estão “vendendo”
curas e milagres no atacado e no varejo, pois, as pessoas vivem a procura do sobrenatural.
Correm atrás de toda promessa que lhes alimente a esperança de testemunhar um
milagre. Os templos religiosos que exploram esse frenesi do povo estão lotados.
Muitos líderes inescrupulosos fazem propaganda de milagres que jamais
existiram. Outros vendem ilusões, prometendo em nome de Deus o que Deus nunca
prometeu em sua Palavra. A Bíblia nos ensina que: “Os judeus pedem sinal, e os
gregos buscam sabedoria, mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para
os judeus, e loucura para os gregos”. (1 Coríntios 1: 22, 23).
Reafirmamos nossa convicção de que Deus opera milagres ainda hoje. Ele é
o mesmo Deus ontem, hoje e eternamente.
Deus faz o que quer com quem quer, no tempo que quer da forma como quer,
para o louvor da sua glória. Porém, os milagres operados por Deus não são um
substituto do evangelho. São sinais de Deus, que abrem portas para o evangelho,
mas não é o evangelho. Só o evangelho traz salvação, pois só o evangelho “é o
poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”. (Romanos 1: 16).
Hoje há muitas atitudes que podemos denominar de enganosas na
apresentação do produto evangélico. Cristo é apresentado como uma panaceia, em
vez do único remédio para o pecado e o livramento da condenação. Em vez da
verdade, oferecem- nos música e entretenimento para que o “clima” fique
apropriado, e o evangelho, muitas vezes diluído em um “xarope para saúde
perfeita” para tornar- se o mais palatável possível.
O
cristão pode ficar doente? Claro que sim! Todos os salvos em Jesus correm o
risco de ficar enfermos. Quando um crente fica doente, não quer dizer que
esteja em pecado diante de Deus nem oprimido pelo diabo. O apostolo Paulo
receitou um remédio para o jovem Timóteo, seu filho na fé. “Não bebas mais água só, mas usa
um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes
enfermidades”. (1 Timóteo 5: 23). A respeito de Timóteo e Epafrodito, o
apostolo Paulo escreveu: “De fato esteve doente, e quase à morte, mas
Deus se compadeceu dele, e não somente dele, mas também de mim, para que eu não
tivesse tristeza sobre tristeza”. (Filipenses 2: 27). A Sobre Trófimo,
ele escreveu: “Erasto ficou em Corinto. Quando a Trófimo, deixei- o doente em
Mileto”. (2 Timóteo 4: 20).
Não conheço nenhuma pesquisa autorizada que tenha estabelecido que os
crentes, em média, não vivem mais que as pessoas de qualquer segmento da
sociedade. Entretanto, não há razão (além da dieta mais saudável e do estilo de
vida) para que isso acontecesse. A Bíblia não promete mais longevidade para os
crentes, assim como não há fundamento bíblico para orar por isso. Antes, aos
cristãos é prometido perseguição e martírio. “E eu lhe mostrarei o quanto deve padecer
pelo meu nome”. (Atos 9: 16).
As
três gerações que mais viram milagres (as gerações de Moisés, Elias e dos
apóstolos) foram as mais incrédulas. “Ajuntando- se as multidões, começou Jesus a
dizer: Esta geração é maligna. Ela pede um sinal, mas não lhe será dado outro
sinal, senão o do profeta Jonas”. (Lucas 11: 29).
Os
milagres estão em alta, e para muitos, os cristãos cheios do Espírito que anda
em fé nunca deveria ficar doente ou sentir dor. Eles afirmam que “a cura está
na redenção”, uma ideia que é derivada da declaração de Isaías: “...
pelas suas pisaduras, fomos sarados”. (Isaías 53: 5). Pedro, todavia,
nos faz saber que essa afirmação não se refere à cura de doenças, mas do
pecado: “Levando ele [Cristo] mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o
madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e
pelas suas feridas fostes sarados”. (1 Pedro 2: 24).
Isaías 53, no versículo 4, lida com a cura de males físicos: “Verdadeiramente,
ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si...”
Além disso, essa promessa foi cumprida no ministério de cura de nosso Senhor na
terra e, portanto não relaciona à continuidade da cura de nosso corpo
atualmente. Essa interpretação nos foi apresentada com clareza: “E,
chagada a tarde, trouxeram- lhe muitos endemoninhados, e ele, com a sua
palavra, expulsou deles os espíritos e curou todos os que estavam enfermos,
para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou
sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças”. (Mateus 8: 16, 17).
É
claro, cada bênção que recebemos está “na redenção”, A verdade é que, por meio
da morte redentora e da ressurreição de Cristo, temos a promessa de algo muito
melhor e superior que a cura perpétua desse corpo corrompido pelo pecado a fim
de prolongar nossa vida aqui neste “presente século mau”. (Gálatas 1: 4).
Temos a promessa de um novo corpo, como o de Cristo ressurreto, um corpo
glorificado, e da vida eterna em um novo universo sem pecado nem sofrimento.
Todos aqueles que pensam que “a
cura está na redenção” como uma “garantia
de que os cristãos nunca ficarão doentes nem morrerão”, estão eles mesmos
mortos ou em vias de morrer. Nenhum deles foi capaz de prolongar sua vida
substancialmente. Alguém poderia pensar que esse ensinamento fosse verdadeiro,
assim, pelos menos alguns advogam isso, de fato, poderiam ter prolongado sua
vida acima da média, mas esse não é o caso. Ignorar o fato de que o ser humano
se desgaste naturalmente com o passar dos anos é contraria a própria Palavra de
Deus.
“Pois: Toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da
erva. Seca- se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra do senhor permanece para
sempre. E esta é a palavra que vos foi pregada”. (1 Pedro 1: 24, 25).
Quanto às orações pelos que estão doentes ou morrendo, muitas delas são
respondidas por Deus de forma miraculosa. Portanto, no fim, todas as pessoas
morrem e, usualmente, não muito depois dos setenta. Isso é o que Bíblia ensina.
“A
duração da nossa vida é de setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam
a oitenta anos, o melhor deles é canseira e enfado, pois passam rapidamente, e
nós voamos”. (Salmos 90: 10).
Muitas igrejas são condescendentes com o nosso desejo de nos “sentir
bem”, em vez de responder a nossa necessidade de ser espiritualmente desafiado
e alimentado por meio da exposição sólida das Escrituras. A igreja eletrônica,
em particular, serve nosso desejo por entretenimento (saúde é o que interessa o
resto não tem pressa) em vez de alimentar o discipulado autêntico e a
maturidade. “Porque virá tempo em que não suportarão a sá doutrina; mas, tendo
coceira nos ouvidos, cercar- se- ao de mestres, segundo as suas próprias
cobiças”. (2 Timóteo 4: 3).
Nada substitui a pregação fiel da Palavra de Deus, nem mesmo as curas e os
milagres. No dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado, coisas
extraordinárias aconteceram. Línguas como de fogo pousaram sobre cada um dos
120 discípulos reunidos no cenáculo. O milagre em si atrai a multidão, mas,
somente quando Pedro se levantou para pregar, os corações foram tocados e
transformados. “Ouvindo eles isto, compungiram- se em seu coração e perguntaram a
Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Disse- lhes Pedro:
Arrependei- vos, e cada um seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão
dos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo”. (Atos 2: 37, 38).
“Arrependei-
vos”, Disse Pedro! Note que, dificilmente você ouve a palavra arrependimento,
nas modernas cruzadas evangelísticas e concentrações de fé. Para muitos lideres
o apelo para “vir a Cristo” está ligado à libertação de problemas de saúde,
financeiros, emocionais etc. João o Batista também pregou: “e dizendo: Arrependei- vos, pois
está próximo o reino dos céus”. (Mateus 3: 2).
Quando Jesus Cristo era abordado por aquelas pessoas que ofereciam para
segui- ló, Ele não dizia a seus discípulos: “João, faça logo a inscrição dele!
Pedro, leve- o para participar do coral! Tiago dê- lhe o cargo de diácono!
Apressem- se, antes que ele mude de ideia!”. Ao contrario, Jesus dizia o
seguinte: “Bem, você quer me seguir? Deixe- me lhe dizer para onde vou. Estou indo
em direção a um monte fora de Jerusalém chamado Calvário. Ali, eles me
crucificarão. Portanto, se você realmente quer me seguir, também deve pegar sua
cruz imediatamente!”. Isso mesmo, Jesus disse: “Se alguém quiser vir após mim,
renuncie- se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga- me”. (Mateus 16:24).
O
evangelho não pode ser apresentado como um plano de saúde celestial apenas para
o nosso conforto físico, e Jesus não pode ser apresentado como um líder
inspirador que nos ajudará a nos sentirmos melhor conosco mesmos, nem como
alguém que curará nosso corpo ou fará prosperar nosso casamento ou negócio. Ao
contrario, Ele precisa ser apresentado como Senhor e Salvador daqueles que
sabem que merecem a punição eterna de Deus e que não podem salvar- se a si
mesmos. Temos de chamar os pecadores ao arrependimento e acreditar no
evangelho, porque ele é verdadeiro. Todos que recusam a verdade receberão a
grande decepção de acreditar na mentira de Satanás, os que correm atrás de
curas e milagres serão presas fáceis de manipular: “A vinda desse iníquo é segundo a
eficácia de Satanás, como todo poder, e sinais e prodígios da mentira... Por
isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira, e para que
sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na
iniquidade”. (2 Tessalonicenses 2: 9, 11, 12).
Martinho
Lutero escreveu: “qualquer ensinamento
que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover
milagres todos os dias”.
A seriedade do evangelho precisa ser
resgatada se, em vez da abundância de falsas profissões de fé, quisermos ver a
salvação genuína. Que o Senhor Jesus nos ajude a sermos fiéis até o fim. Pastor
Elias Fortes.