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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

POR QUE FALAR SOBRE O INFERNO?

Sei que estou pisando num terreno difícil, ao falar sobre esse assunto. As igrejas tradicionais deixaram de acreditar em inferno desde aquela época longínqua em que deixaram de crer na Bíblia. Agora, muitas igrejas evangélicas populares se recusam, até mesmo, a pregar sobre o inferno. Por quê? Porque eles dizem que sermões sobre o fogo do inferno não são acolhedores para os que estão buscando; não são uma boa estratégia de marketing para as igrejas; não fazem amigos e influenciam pessoas. “O inferno e a perdição nunca se fartam...” (Pv 27: 20).
     C. S Lewis disse que nunca encontrou uma pessoa que tivesse uma crença viva no céu, que também não tivesse uma crença viva no inferno. Se não existisse inferno, as escolhas da vida não fariam mais uma diferença infinita. Removendo o inferno, o céu se tornaria insípido, automático e acessível para todos. O drama da vida, geralmente afiado como fio de navalha, tornar- se- ia algo suave e seguro. “... Melhor é que entres na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, sejas lançado no fogo do inferno” (Mt  18: 9).
     Se não existisse um inferno do qual ser salvo, então Jesus não seria nosso Salvador; seria apenas nosso mestre, um profeta um guru ou um modelo de ser humano, e haveria indiferença religiosa. Se a fé em Cristo como Salvador não fosse necessária, deveríamos chamar de volta todos os missionários e pedir desculpas por todos os mártires. Que desgaste de paixão, energia, tempo e vida! Se não existisse fogo, o corpo de bombeiros seria uma inutilidade e um desperdício! “... Mas quem disser: Tolo! Estará sujeito ao fogo do inferno” (Mt 5: 22).
      Se não existisse razão para crermos na detestada doutrina do inferno, também não haveria razão para crermos na doutrina mais amada no cristianismo: a de que Deus é amor. A doutrina amada é a razão que os críticos mais freqüentemente apontam para não crerem na doutrina do inferno. Contudo, as duas doutrinas cristãs se apóiam exatamente sobre o mesmo fundamento. “No inferno, estando em tormentos, ergueu os olhos e viu ao longe a Abrão e Lazaro no seu seio” (Lc 16: 23).
     Alguns ensinam que o inferno não existe, outros, que o inferno é um lugar vazio, e muitos tentam amenizar o horror que é o inferno.
     Quando os discípulos perguntaram: “Senhor, serão poucos os salvos?” (Lc 13: 23) Jesus não respondeu sim, mas “Esforcem- se para entrar pela porta estreita porque eu lhes digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão” (Lc 13: 24). Contudo, mesmo que Ele tenha descrito os salvos como poucos e os condenados como muitos, devemos lembrar que Jesus não estava falando como um estatístico, mas como o Bom Pastor. O que significa muito para Deus? E pouco? Na parábola da ovelha perdida (Mt 18: 10- 14), o pastor achou que noventa e nove ovelhas seguras e salvas no aprisco era pouco, e foi em busca de uma ovelha perdida, que para Ele representava muito.
      Muitos cristãos interpretam erroneamente os conceitos de muito e de pouco em textos como Lucas 13: 23 24, acham que significa que a maioria das pessoas iria para o inferno. Mas é incorreto tanto dizer que os muitos não- salvos são a maioria como afirmar que ninguém vai para o inferno. Nós simplesmente não sabemos. Jesus se recusa a contar- nos. Em vez de satisfazer nossa curiosidade teórica, ele nos lembra o que precisamos saber e praticar: “Esforcem- se para entrar pela porta estreita” (Lc 13: 24a). “... Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16: 15).
      Se ninguém fosse para o inferno, não teríamos de esforçar- nos. Se temos de esforçar- nos para entrar no céu, aqueles que recusam a esforçar- se não entrarão no céu. A falta de esforço implicará a ida de pessoas para o inferno.
      Sobre a busca do pastor pela ovelha perdida, Jesus disse: “Da mesma forma, o Pai de vocês, que está nos céus, não quer que nenhum destes pequeninos se perca” (Mt 18: 14). A vontade de Deus pode ser contrariada? O fato de não ser vontade de Deus que ninguém pereça não significa que nenhuma pessoa vá perecer. Não é vontade de Deus que pequemos, mas pecamos. Temos livre- arbítrio para escolher.
       Sendo assim, esse texto [Mt 18: 14] não pode ser usado para negar o inferno, mas sim para negar que todos irão para o céu, porque a vontade de Deus é que nenhum se perca, e esta vontade não pode ser contrariada em hipótese alguma; ou que Deus quer que apenas alguns sejam lançados nos inferno.
       Vamos analisar o que Jesus falou sobre Judas: “... Melhor lhe seria não haver nascido” (Mt 26: 24b). Parece indicar que, pelo menos, Judas está no inferno, não no céu. Poderia Judas ser a única e exclusiva exceção da história? A questão não é que alguns sejam mais pecadores do que outros ou que cometeram pecados piores do que Judas, mas que muitos se recusam a arrepender- se, como ele recusou. Um Deus infinitamente amoroso poderia perdoar qualquer pecado se houvesse arrependimento genuíno, mas respeitaria nosso livre- arbítrio de recusar- nos ao arrependimento, se optássemos por isso.
       Além disso, na Bíblia, vemos um pecado que não será perdoado. Jesus disse: “Todos aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado, mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado” (Lc 12: 10). Esse texto geralmente é interpretado como a recusa de reconhecer a obra do Espírito de Deus, de arrepender- se e de aceitar o perdão que Deus oferece de graça a todos: “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação. Ora, quais os que, tendo- a ouvido, o provocaram? Não foram todos os que saíram do Egito por meio de Moisés? E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? E a quem jurou que não entrariam no descanso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da incredulidade” (Hb 3: 15- 19).
     Se somos livres para escolher o bem ou o mal, a vida ou a morte, o inferno é uma possibilidade real. A Bíblia diz de forma clara que Deus não está “querendo que alguns se percam” (2 Pe 3: 9), mas quer “que todos os homens se salvem” (1 Tm 2: 4).
     Recordo-me dos dias, quando pregadores não censuravam seus sermões, e as congregações eram suficientemente fortes em Cristo para receber a verdade sem diluição.
    “Gostaria que você viesse pregar na minha igreja, mas, por favor, não fale sobre o inferno, pois, temos muitos irmãos que não estão preparados para este assunto”. Isso é muito útil a Satanás. Ele não quer ouvir pregadores dizendo às pessoas para saírem do seu acampamento e entrarem no de Jesus. Satanás não quer ouvir pregadores dizendo às pessoas que, a menos que elas se arrependam e creiam em Jesus Cristo, passarão a eternidade lá, com Satanás e todos os seus demônios. Ele não quer ouvir pregadores alertando as pessoas para escaparem do juízo eterno que está para vir sobre o mundo, nem os quer ouvir falando sobre o lago de fogo preparado para ele e os seus anjos. Portanto, abafar a verdade sobre todas essas coisas, como as igrejas tradicionais estão fazendo, cai como uma luva nos planos do inimigo. Ele não se entristece quando as pessoas riem da idéia de fogo, enxofre e um Diabo real. Quando as pessoas trivializam o inferno e o tratam como uma piada, o inimigo se delicia. Quanto menos pessoas levarem o inferno a sério, mas companhia Satanás deverá ter. “Então, dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25: 41 ênfase minha).
     O “fogo” do inferno e o tormento do “ardor” do maldito e condenado estão consistentemente ligados à sede: “... manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama” (Lc 16: 22- 24). O sofrimento do inferno não existe pelo desejo de Deus de punir, mas em virtude de seu amor. Ele ama tanto o homem que o fez eternamente capaz de conhecê- lo e de habitar com Ele para sempre. Em seu amor, Ele formou o homem para que sua comunhão com Deus não seja uma mera opção e, portanto, pouco satisfatória. Não, isso é vital para sua existência real e, por conseguinte, traz infinito prazer e satisfação.
     No momento em que nós recusamos a viver uma vida sem seu propósito, não desejando conhecê- lo. Poderíamos compara- lo como um homem no deserto do Saara que, de manhã cedo, se recusa a beber a água que lhe é oferecida; porém, no calor do dia, esta morrendo pela falta da água anteriormente desprezada. “Os pobres e necessitados buscam água, mas não há; a sua língua se seca de sede” (Is 41: 17).
     A Bíblia faz uma conexão entre a separação da vida e comunhão com Deus e a sede que arde, fornecendo uma metáfora que nos dá uma medida que ajuda a compreender como serão o céu e o inferno. Percebemos que o sofrimento no inferno será tão doloroso pela mesma razão que o céu será tão intensamente jubiloso. Esse é o caminho com a sede insaciável ou satisfeita. “Como água fria para a alma cansada, tais são as boas novas de terra remota” (Pv 25: 25).
     É fácil entender que a pessoa que está morrendo de sede arda em tormento pela mesma razão que beber água fresca sacia a sede, algo que dá uma sensação boa e agradável. Nossa percepção torna- se mais clara quando lembramos que a sede queima e atormenta e que, ao saciá- La, reconforta e alegra, pois a água é absolutamente essencial para a vida. Da mesma maneira, o inferno será percebido como tão ruim quanto o céu, como tão bom, pois a intimidade e plenitude da presença e do amor de Deus é essencial para a nossa vida espiritual como a água para nossa vida física. “E quem der a beber ainda que seja um copo d` água fria a um destes pequeninos, por serem meus discípulos, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão” (Mt 10: 42).
      Aqueles que vão para o inferno, e que Deus nunca pretendeu que fossem separados, queimarão com sede insaciável pelo amor de Deus em conseqüência pelo que fizeram. Para aqueles que estão no inferno, não há absolutamente como saciar essa sede espiritual e moral, pois, por escolha própria, eles se separam de Deus por toda a eternidade, pois, não atentaram eles que Jesus sentiu a nossa sede: “... Tenho sede!” (Jo 19: 28b).    
      Certa vez, C.S, Lewis disse que não existem relacionamento interpessoais lá. É um lugar confinamento solitário. Uma vez lá, todos os sentimentos de ligação, amizade e amor estarão perdidos para sempre.  
     Aqueles que dizem ser o céu um estado de espírito, em geral, dizem a mesma mentira sobre o inferno. O céu, dizem eles, é uma idéia abstrata, um devaneio, uma figura retórica, o inferno é um lugar de “reunir a galera” para tomar uma cerveja, servido por mulheres seminuas.
      C. S. Lewis esclarece melhor o ponto: Embora nosso Senhor fale repetidas vezes do inferno como sentença infligida por um tribunal, Ele também diz em outro lugar que o julgamento consiste no próprio fato de que os homens preferem as trevas à luz, e que não Ele, mas Sua palavra julga os homens (Jo 3: 19; 12: 48).
      Estamos, pois, em liberdade, já que as suas concepções, no final das contas, significam a mesma coisa... Pensar na perdição desse homem mau não como uma sentença imposta a ele, mas como simples fato de ser ele o que é. A característica das almas perdidas é sua rejeição de tudo que simplesmente elas mesmas não são.  Nosso egoísta imaginário tentou transformar tudo  que ele encontrava em um ramo ou prolongamento do eu. O gosto pelo outro, ou seja, a própria capacidade de usufruir o bem, é apagado nele, exceto na medida em que seu corpo ainda o impele a algum contato rudimentar com um mundo exterior. A morte elimina esse último contato. Ele satisfaz seu desejo... Permanecer inteiramente no eu e tirar o melhor proveito que lá encontra. E o que lá encontra é o inferno. (Lewis. O Problema do Sofrimento, cap. 8, Inferno).
        Na famosa pintura de Jesus com uma lâmpada batendo à porta (à alma), não existe maçaneta do lado de fora da porta. Apenas do lado de dentro é a porta da alma pode ser aberta livremente para a bondade, a verdade e a alegria. E apenas por dentro é que ela pode ser trancada. Se trancarmos essa porta, nossa loucura e nosso crime são os próprios castigos. “Eis que estou à porta, e bato. Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Ap  3; 20). Espero que esta porta esteja aberta em sua vida. Pastor Elias Fortes.

sábado, 8 de outubro de 2011

O DIA DAS BOAS NOVAS

“Então disseram uns para o outro: Não fazemos, bem; este dia é dia de boas- novas, e nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, algum mal nos sobrevirá; pelo que agora vamos e o anunciemos à casa do rei” (2 Reis 7: 9).
    As crises sempre chegam à nossa porta sob as roupagens mais diversas, apresentando- se com rótulos variados: falência comercial, uma doença grave, morte, um filho que foge de casa. Como é que você recebe a crise quando ela chega? Por mais que nós não gostamos, ela sempre chega. Somos capazes de anunciar o Evangelho (Boas Novas) em meio à crise? Bem, se você é do tipo que coloca um adesivo no carro: “quem tem Cristo não tem crise”, então você não conhece a Palavra de Deus, ouça as palavras de Jesus: “... No mundo tereis aflições. Mas tende bom ânimo! Eu venci o mundo” (João 16: 33). Agora de uma olhada no dicionário e veja o que significa aflição.
     Quase todas as pessoas levam uma vida normal. Bem regularizada, uma vida de pessoas comuns, até o momento em que são atingidas por uma crise que vem quebrar essa rotina. E é nesses momentos de crise que os outros, observando nossa reação a elas, descobrem muitas coisas a nosso respeito. Os belos cortinados da janela são arrancados, e nosso interior, nossa verdadeira vida espiritual fica exposta. Então, o que é que os outros estão descobrindo a seu respeito?  Tuas atitudes têm exaltado a Cristo em meio à crise?
    Quando tudo está indo maravilhosamente, quase todos nós podemos mostrar uma fase serena. Citamos versículos da Bíblia, cantamos mais ou menos afinados. Mas quando uma situação de emergência assola nossa tranqüilidade, o que acontece?
     A frase de Ray Stedmam   vem bem a calhar: “Ai daquele que tiver de aprender os princípios divinos em momento de crise”. Precisamos aprender essas verdades antes que a parede desmorone. Se não, estaremos sempre sendo dominados pelas circunstâncias, ficaremos confusos, atônitos, amedrontados. E nossa primeira reação será uma longa e amarga queixa contra Deus.
     Os quatros leprosos tomaram uma sábia decisão, porque assim que eles chegaram ao acampamento dos Assírios, Deus já havia feito um maravilhoso milagre e todos os inimigos haviam fugido, deixando todas as riquezas, prata ouro, comida e bebida  à vontade e outros pertences valiosos. Os leprosos se esbaldaram  com todas as bênçãos conseguidas. Comeram beberam, e foram guardando os despojos. Mas, algo começou a perturbar suas almas. E seus irmãos que estavam morrendo de fome em Samaria? Deixariam  que todos perecessem? E o que  fariam com tantas riquezas?   Eles reconheceram que aquele dia era um dia especial. Era dia de boas novas vindas da parte de Deus. Não podiam ficar calados enquanto os seus irmãos passavam fome. Tomaram uma decisão de anunciar em Samaria as boas novas recebidas. “Porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação,”  (2 Corintios 6:2)
     Milhares de vidas estão morrendo em meio à crise, chorando, debatendo-se, clamando pelo pão da vida. Em contra partida, muitos cristãos vivem em tempo de abundância e a quantidade de pão da vida (Jesus) que Deus nos deu assombra a cada pessoa a quem ela é revelada, pois, toda a necessidade espiritual conceptível é suprida pela mensagem do Evangelho.  Em face da necessidade do mundo, meramente desfrutar o que Deus nos deu e não partilhar isso com os outros seria egoísmo extremo Ficar silencioso e prostrar-nos inertes implica em morte aos milhões de famintos e grandes perigos às nossas próprias almas. Demo-nos pressa em relatar o que temos visto e sentido. “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo” ( I João. 1:3).
     Temos os quatro evangelhos de Cristo (Boas novas) e o que temos anunciado nesses dias  de calamidade?
      “Para saber a quem você adora”, diz Theodore Parker, “Deixe- me vê- lo em sua loja, ouvi- lo em seu trabalho, deixe- me saber como você cobra o aluguel de suas casa, como consegue seu dinheiro, como o guarda e o gasta”
      Jesus diz basicamente o mesmo em Mateus 6: 21: “Porque onde estiver o vosso tesouro, ai estará também o vosso coração”. Vivemos em dias do cerco a Samaria. A fome espiritual esta assolando milhares de almas. E o que estamos fazendo com as riquezas do Evangelho de Cristo?
      J. Blanchard escreveu: “Nunca podemos permitir que a nossa teologia nos roube nossa responsabilidade”. Paulo diz ao jovem Timóteo: “Mas é grande ganho a piedade com contentamento” (1 Timóteo 6: 6). O descontentamento pode vir se arrastando sorrateiramente, nos deixando insatisfeito com o que temos. Não demore muito até que o descontentamento se transforme em determinação para conseguir o que julgamos merecermos, seja qual for o preço. Mas o preço é geralmente muito alto.
     “E nessa cobiça alguns se desviaram da fé”, adverte Paulo a Timóteo no versículo 10, “e se transpassaram a si mesmo com muitas dores”.
       O segredo da felicidade não está em conseguir o que você quer, mas em querer o que você tem. Nós temos as riquezas do Evangelho de Cristo. “... este dia é dia de boas- novas, e nos calamos... “.
       D.T. Niles escreveu: “Evangelização é um mendigo contando a outro onde encontrar o pão”.
       Se você é um verdadeiro cristão, Deus, com toda certeza, tem um plano para você, quer que você faça alguma coisa. Talvez algo que sobrepuje sua imaginação e sonhos mais ousados. Deus pode operar abundantemente em sua vida, muito mais do que você pensa, ou mais do que você peça. Existe um velho ditado que eu gostaria que fosse da Bíblia, e que diz o seguinte: “Portas grandes giram em dobradiças pequenas”. Pastor Elias Fortes

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

NO VENTRE DA BALEIA

"Veio a palavra do Senhor a Jonas... dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim. Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do Senhor" (Jonas 1: 1- 3). Jonas foi um profeta que entendeu a misericórdia do Senhor, contudo não pode desfrutá- La. Ao invés, era um, fardo para ele. Quando Deus ordenou- lhe que fosse à perversa cidade de Nínive e profetizasse contra ela, correu para outra direção. E confessou ao Senhor que fugiria por causa de sua misericórdia! “... Eu sabia que és Deus clemente e misericordioso, tardio em irar- se e grande em amor, e que te arrependes do mal” (Jonas 4: 2).
    A história de Jonas foi validada pelo próprio Cristo. Jesus disse: "Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do homem estará três dias e três noites no coração da terra" (Mateus 12:40). Em outras palavras, “a história de Jonas é tão certa quanto o sepultamento e a ressurreição do próprio Cristo”.
    Por que Jonas fugiu? Por que se recusou a obedecer a palavra de Deus claramente revelada? Jonas certamente era um homem piedoso e de oração. Pois, o Senhor fala com aqueles que têm comunhão com Ele. E o Senhor não escolhe Seus servos de maneira descuidada. Evidentemente, Ele viu algo em Jonas. Assim como Ele vê algo em mim e em você!
   Jonas profetizou em Israel. Ele foi contemporâneo de outros profetas da época. Claramente, esse homem foi dotado e escolhido por Deus. Contudo, nesse caso, Jonas correu do chamado de Deus. Em verdade, ele fugiu da presença do próprio Deus, bloqueando a comunhão com o Senhor. Por quê? O quê provocou tamanha desobediência nesse homem?
    Não temos o tempo gasto entre o chamado de Jonas para proferir julgamento, e sua decisão de fugir. Semanas ou mesmo meses? Além disso, a distância de Jerusalém à Jopa era quase sessenta quilômetros. Se Jonas viajasse a pé, ele teria muito tempo para reconsiderar sua missão. Uma coisa é certa: Jonas ficou ouvindo a voz do Espírito Santo soando em seu ouvido a cada passo do caminho. O Espírito Santo é o que nos convence do pecado da justiça e do juízo. Ele nos convoca para servir, Ele não nos deixa.  Jonas passou por essa experiência: O Espírito Santo alertava Jonas: “Olhe o exemplo de Adão, Jonas. Atente para as conseqüências de sua desobediência. Olhe para as o exemplo de Moisés. Esse homem manso e santo falou com Deus face a face. Mas o Senhor o repreendeu por um único ato de desobediência, deixando-o fora da Terra Prometida. Veja o exemplo de Davi! Um homem de oração, homem segundo o coração de Deus. Lembre-se do terrível sofrimento que passou por seu ato de desobediência. Não se pode desobedecer à palavra de Deus, e continuar impune. Volte Jonas."
O destino de multidões dependia da obediência de Jonas. Mas em vez de ir para Nínive, Jonas "tendo descido a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem e embarcou nele, para ir... para longe da presença do Senhor" (Jonas 1:3).
    Como um homem de oração como este pôde se desviar do chamado e cair na desobediência? Tudo começou com um conhecimento parcial e incompleto da natureza de Deus. Jonas recebeu uma revelação poderosa da graça e da misericórdia de Deus. (Jonas 4: 2). Ele recebeu a mesma revelação que Moisés recebeu, quando Deus revelou Sua glória a ele sobre o monte.
    Jonas afirma que essa revelação foi a razão de sua fuga: "Por isso, me adiantei, fugindo para Társis" (4: 2). Através de seus atos, ele estava dizendo: "Senhor, Tu perdoas com tanta facilidade todos os que se arrependem. Todas as vezes que pronuncias julgamento, és dominado pela misericórdia. Eu sei que não julgarás Nínive. Assim que eu profetizar, eles se arrependerão, e Tu derramarás Tua graça sobre eles". Você está enxergando o problema do raciocínio de Jonas? Ele está descrevendo só uma revelação parcial da natureza de Deus. E está acusando Deus de ser tolerante com o pecado. É claro, Deus é tudo que Jonas descreve aqui: longânimo, desejoso de perdoar, pronto para derramar graça abundante. Agradeço a Deus por essa maravilhosa revelação de Sua natureza. É a verdade que mais produz vida, pelo que sei. Amo pregar a misericórdia de Deus às pessoas. Mas a Bíblia também fala da natureza santa e justa de Deus. "A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça" (Romanos 1: 18). Certamente Jonas conhecia esse lado de Deus. Como pôde descuidar-se dele?
     Acredito que Jonas não tinha entendimento do temor de Deus. Se você acha que Deus é só misericordioso, vai achar fácil desobedecer A Sua palavra. Você pensará que Ele valoriza poucas Suas advertências, que Ele não fala sério. Creio que esta foi a raiz da desobediência de Jonas.
    Todo servo leal tem de se apropriar da revelação do temor de Deus. Não quero dizer medo induzido pelo homem, manipulando as pessoas a obedecerem. Refiro-me à divina revelação do temor santo como revelado na palavra de Deus: "Não sejas sábio a teus próprios olhos; Teme ao Senhor e aparta-te do mal" (Prov. 3:7). "Não tenha o teu coração inveja dos pecadores, antes conserva- te sempre no temor do Senhor" (23:17). Este tipo de temor tem de ser buscado com diligência. E tem de ser implantado em nós pelo Espírito Santo: "Se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do Senhor e acharás o conhecimento de Deus" (Provérbios 2: 4- 5). Tal como a misericórdia de Deus, o temor de Deus concede vida: "No temor do Senhor há firme confiança" (Provérbios 14: 26). "O temor do Senhor é fonte de vida para evitar os laços da morte" (Provérbios 14:27).
     Há terríveis conseqüências para todos que desobedecem a palavra de Deus. A desobediência de Jonas é um alerta para nós: "O Senhor lançou sobre o mar um forte vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava a ponto de se despedaçar. Então, os marinheiros, cheios de medo, clamavam cada um ao seu deus e lançavam ao mar a carga que estava no navio, para o aliviarem do peso dela" (Jonas 1: 4- 5).
     Às vezes, mesmo pessoas piedosas enfrentam tumultos na vida. Subitamente, tudo vira um caos. Mas Deus não as conserva nessa situação. Ele as livra, trazendo suas vidas à Sua divina ordem, com alegria, paz e consolação. Ou, lhes fornece graça para suportarem. Contudo, o servo que anda em desobediência enfrenta crise após crise.   
     Você já pensou no caos que o pecado de Jonas causou? Uma incrível tempestade irrompeu, e o mar começou seu bramido. Marinheiros corriam pelo navio desesperados, jogando a carga para fora. Apavorados viam sua subsistência afundando no mar. Se houvessem outros navios na área, eles teriam de fazer o mesmo, temendo por suas vidas.
     Quantas tempestades e traumas são causados por um crente que vive em teimosa desobediência à palavra de Deus. O quê é desobediência? É andar em direção contrária à revelada na palavra de Deus. Isso inclui todo mandamento de amor do Novo Testamento, desde as palavras de Jesus até as palavras de Seus apóstolos. Veja essas passagens sobre adultério e fornicação: "Nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus" (Efésios 5: 5). "Deus julgará os impuros e adúlteros" (Hebreus 13: 4). Em grego a palavra impuro é pornô, de onde vem a palavra pornografia.
    O que podemos falar da pornografia que assola nosso país? Homossexualismo, adultério e sexo fora do casamento estão em alta em nossa nação. De onde vem tamanha desordem? Não vem do diabo, mas do fato de Deus ter removido a muralha protetora. Ele provoca tempestades para despertar os Seus servos, como fez com Jonas: "Mas o Senhor lançou sobre o mar um forte vento" (Jonas 1: 4). Jonas não estava consciente do caos e da dor que estava causando. Durante toda a tempestade, ele "havia descido ao porão e se deitado; e dormia profundamente" (Jonas 1: 5). Você consegue entender a situação dele? Ele era prisioneiro da própria desobediência. O seu pecado havia iniciado a tempestade, e agora Jonas se encontrava incapaz de interrompê-la. Então, o quê fez? Ele se acomodou no torpor espiritual. Ele cedeu à preguiça sem culpa.
    Recentemente, em uma reunião com o conselho da igreja, ouvimos um irmão nos dizer: “preciso de tempo”. Ele nos deixará por estar envolvido em terríveis pecados sexuais, confrontado com a Palavra de Deus ele continuava dizendo: “Só preciso de tempo". Esse homem desviado havia perdido todo o temor de Deus. E havia convertido em dissolução a graça de Deus.
    Veja a explosão de divórcios na igreja. Pense no adultério que ocorre tanto no púlpito quanto na congregação. Os cristãos têm se paralisado diante do aumento da imoralidade na sociedade. Pela TV vemos as compartas do lixo moral sendo escancarados, os realities shows, novelas e todo tipo de imundícia. E os cristãos estão sendo seduzidos junto com o mundo. Como isso pôde acontecer você pode perguntar? É resultado da mensagem dominante da "graça apenas" na igreja. Essa mensagem é só uma verdade parcial da natureza de Deus. Os pastores hoje ignoram a doutrina do santo temor de Deus. E isso embala o Seu povo no torpor espiritual: "Chegou-se a ele o mestre do navio e lhe disse: Que se passa contigo? Agarrado no sono? Levanta-te, invoca o teu deus; talvez, assim, esse deus se lembre de nós, para que não pereçamos...Então lhe disseram: Declara-nos, agora, por causa de quem nos sobreveio este mal. Que ocupação é a tua? Donde vens? Qual a tua terra? E de que povo és tu? Ele lhes respondeu: Sou hebreu e temo ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra. Então, os homens ficaram possuídos de grande temor e lhe disseram: Que é isto que fizeste? Pois sabiam os homens que ele fugia da presença do Senhor, porque lho havia declarado" (Jonas 1: 6- 10).
    A desobediência de Jonas fez o Senhor parecer vingativo. A idéia é a de que se você cruzasse o caminho do Deus de Jonas, Ele iria lhe perseguir, e acabar com a sua vida. Porém esse não era o caso, em absoluto. Tratava-se de uma deturpação da natureza de Deus. Então, Deus estava bravo com Jonas? Isso era uma vingança contra o servo rebelde? Será que Deus estava dizendo: "Você falhou Jonas. Você teve sua chance, mas se desqualificou. Agora você está sendo julgado"? Não, Deus não estava bravo com Jonas. Deus podia ter ficado desapontado, mas não havia encerrado as coisas com ele. Nem um pouco.
    A história de Jonas é um caso de amor e de graça. Sim, Deus havia produzido a tempestade. Mas Ele o fez para trazer Jonas de volta para Si mesmo. O Senhor estava dizendo basicamente: "Vou agitar a natureza para restaurar Meu servo desobediente. Você pode estar fugindo de mim, Jonas, mas não vou desistir de você. Eu ainda lhe amo. Eu o chamei, e lhe escolhi. Você ainda é o homem que escolhi para essa obra".
   Note que o capitão teve de despertar Jonas. Nessa crise, o mensageiro de Deus foi pego de surpresa. Jonas tentou testificar do poder de Deus, mas ele não tinha credibilidade diante da tripulação. Eles sabiam que ele estava vivendo em desobediência, "que ele fugia da presença do Senhor" (Jonas 1: 10). O pecado de Jonas havia o descoberto. Igualmente, todo servo que vive em desobediência perde credibilidade diante do mundo. Eles vêem que ele não tem autoridade espiritual. Quando Jonas insiste com a tripulação para lançá-lo ao mar, eles o ignoram: "Entretanto, os homens remavam, esforçando-se por alcançar a terra" (Jonas 1: 13). A atitude deles dizia: "Por que devemos lhe ouvir? Enquanto invocávamos nossos deuses, você dormia. Nós mesmos temos de tentar sair dessa".
   Jonas estava totalmente desprovido de poder. Mesmo que não morresse na tempestade, ele não estava em condições de profetizar para Nínive. Por que deveriam respeitar sua palavra, se a tripulação do navio não respeitou? As escrituras nos dizem: "Deparou o Senhor um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites no ventre do peixe" (Jonas 1: 17). "Do ventre do inferno gritei" (Jonas 2:2).
     Por que o Senhor levou Jonas tão para o fundo? Ele estava no ventre do inferno vivo, suspenso nas trevas, balançando entre a vida e a morte. Por que um Deus de misericórdia faria um servo passar por isso? Eu creio que a história de Jonas mostra como Deus trata com servos desobedientes. Jonas ficou nesse inferno por três dias e noites. Mesmo assim, ele não orou durante todo esse tempo. A tempestade não o colocou de joelhos; nem sua escaramuça com a morte no ventre da baleia. Só após três dias e noites lemos: "Então, Jonas, do ventre do peixe, orou ao Senhor, seu Deus" (2:1).
     Por que Jonas não orou antes disso? Foi porque estava convencido de que "lançado estou de diante dos teus olhos" (Jonas 2: 4). Ele descreve Deus como tendo misericórdia de Nínive, mas não conseguia crer na mesma misericórdia para si mesmo. Ele achava: "Sou um homem morto. Não posso chegar mais ao fundo do que cheguei. Deus virou Suas costas para mim. Ele me odeia pelo que fiz".
     Nada poderia estar mais longe da verdade. Quando as escrituras dizem: "Deparou o Senhor um grande peixe, para que tragasse a Jonas", a palavra deparou quer dizer embrulhou. Deus havia pego um grande peixe, e o instigou. Assim, quando Jonas foi jogado fora, o animal estava lá, pronto para engoli-lo. O Senhor ainda estava agindo. Porém o diabo conseguiu enganar Jonas. Quem dirige as regiões do inferno, senão Satanás? Jonas grita: "Os que observam as vaidades vãs, deixam a sua própria misericórdia" (Jonas 2: 8). A tradução literal em hebraico diz: "Os que protegem ou defendem a mentira enganadora, roubam de si próprios a misericórdia". É isso que aconteceu com Jonas. O engano a que foi levado lhe roubou toda esperança quanto à graça de Deus. Durante três dias e noites, ele foi levado a sofrer o efeito de um horrível engano. Satanás lhe disse: "Você fracassou. A vida agora acabou para você. A sua desobediência custou à vida de muitos que teriam se voltado para o Senhor. Nem mesmo Deus pode lhe salvar agora. Mesmo que sobreviva, ficará se arrependendo eternamente".
   A grande verdade é que Deus estava apressando Jonas para rumar a Nínive. Breve o profeta estaria novamente caminhando à luz do sol; estaria ousadamente pregando nas ruas como mensageiro escolhido. O que Deus planejou demonstrar através da experiência de Jonas no ventre do inferno? Demonstra que Ele permite que os servos desobedientes enfrentem isolamento total de tudo que é santo e puro. Durante algum tempo Jonas conheceu como é sentir-se morto. Ele não podia orar. Deus havia escondido a Sua face, e o profeta não tinha a quem recorrer. Para Jonas o inferno não eram as algas que ficavam se enrolando nele, ou ser arremessado para frente e para trás. Era o sentimento de que Deus havia retirado as mãos de sua vida.
Tudo teve o objetivo de testar Jonas em sua desobediência. Deus não estava exigindo: "Agora você vai me obedecer, Jonas?". Antes, Ele perguntava: "Nas palavras de quem você vai acreditar nesse terrível inferno, Jonas? Nas Minhas, ou nas palavras do diabo?". Finalmente lemos: "Então, Jonas... orou" (Jonas 2: 1). "Quando, dentro de mim, desfalecia a minha alma, eu me lembrei do Senhor; e subiu a ti a minha oração" (Jonas 2: 7). Jonas correu de volta para os amorosos braços de Deus. Então testificou: "... Das profundezas da sepultura gritei, e tu ouviste a minha voz" (Jonas 2: 2).
   Quantos Jonas se perderam e morreram em seus pecados por não compreenderem a sua graça? Por outro lado milhares de crentes se arrependeram de dentro do ventre do seu inferno, e foram restaurados. Hoje, Deus está lhes usando poderosamente outra vez, como pastor, mestres, evangelistas, obreiros leigos. Em cada caso, esses santos restaurados se entregaram à oração, clamando ao Senhor.
    Em todo período de corrupção extrema, Deus chama Sua igreja para prevenir a sociedade quanto a julgamento vindouro. O Seu Espírito ordena a todos nós: "Levanta-te e advirta tua cidade, tua família, teu país. Já agüentei muito essa pecaminosidade". O nosso ministério deveria levantar remanescentes piedosos de crentes, e advertir a sociedade quanto ao julgamento que se aproxima.
     A corrupção de nosso país supera de longe a de Nínive. Aquele povo antigo não era tentado pela pornografia, pela Internet ou pela sórdida TV. Nem havia a presença do evangelho em seu meio, para lhes apresentar a verdade. Eles não possuíam Bíblia, igrejas, mídia cristã. O nosso país está saturado por essas coisas maravilhosas. Ainda assim, a nossa sociedade está rapidamente sendo dominada pelo mal. Como isso aconteceu? É simples: os servos de Deus caíram no sono. A igreja fugiu de Sua presença, tendo perdido o piedoso temor.
    Nos dias de Jonas, os navios de Társis representavam prosperidade. Salomão construiu uma frota társica de navios para aumentar a riqueza de Israel. Mas Deus destruiu esses barcos. Hoje, como Jonas, muitos crentes estão dormindo abordo do barco da teologia da prosperidade. Mas breve enfrentaremos uma tempestade do Senhor, abalando nossa nação.
   Essa é nitidamente a hora para que os servos de Deus, homens e mulheres de oração e de discernimento, se levantem e previnam sobre julgamento. Tal como a tripulação do navio de Jonas, maciçamente multidões de ímpios perguntam aos cristãos "Que tempestade é essa? Onde está Deus nisso tudo?". Porém, tragicamente, a igreja perdeu a credibilidade aos olhos do mundo. Para muitos, cristianismo é só pastores de TV pedindo dinheiro. Eles vêem os cristãos dormindo no barco da prosperidade. Na canoa da benção, da cura e felicidade. Falar contra esta pratica? Despertar a Igreja para a tempestade? Você ouvira aos berros pastores dizendo: "DEUS NÃO ESTÁ POR TRÁS DA TEMPESTADE. ISSO É OBRA DO DIABO. NOSSO DEUS AMOROSO NÃO TRARIA JULGAMENTO SOBRE NOSSA NAÇÃO”.      
    Esses homens não conhecem a Bíblia. Nada acontece com qualquer nação sem a permissão de Deus. Afinal de contas, não foi o diabo que destruiu Sodoma; não foi ele que fez cair fogo e enxofre do céu. O Senhor trouxe esse julgamento justo sobre a corrupta Sodoma. Nem foi Satanás que trouxe o dilúvio nos dias de Noé. O próprio Deus abriu os céus, e enviou a terrível torrente de chuva. Mas o Senhor tem a Sua maneira de despertar a igreja e levá-la à oração. No momento, estamos só vendo a tormenta. Muito em breve, a nossa nação entrará no ventre da baleia.
Muitos serão lançados para dentro da tempestade, e engolidos por uma baleia de dificuldades, pois a Bíblia esta sendo banida de nossos púlpitos. Talvez você não goste de ouvir esse tipo de mensagem. Todos nós preferimos acreditar que de alguma maneira receberemos um salva-vidas, para evitar que caiamos no ventre do sofrimento. Mas na realidade, o ventre da baleia é o ato final de misericórdia de Deus. Ele tentou nos levar ao arrependimento através de Sua bondade. Mas nos engordamos em nossa prosperidade, e O abandonamos ainda mais. O Senhor está dizendo: "Não conheço outra maneira de salvá-los, senão através do ventre da baleia. Talvez dentro do ventre de uma economia falida vocês acordem. Talvez enfrentando um tempo de pânico, medo e angustia vocês retornem ao chamado".
   Ele também está tentando levar a igreja de volta à sua missão. O Seu desejo é que saindo de dentro desse período no ventre da baleia, as famílias se voltem para Ele; os ministros parem com o pecado e com as pregações tolas, e as igrejas revivam.
  A tempestade na qual estamos a enfrentar foi feita para nos ensinar que Deus leva a sério o que fala.  Tenho orado para que a igreja não cometa o erro de Jonas e falhe em desfrutar da misericórdia de Deus. Que possamos receber uma revelação a respeito do Seu temor, tanto quanto a respeito de Sua misericórdia e graça. Se você está andando em desobediência, corra a Ele já. Arrependa-se rapidamente, e derrame sua alma para Ele. Ele não lhe deixará muito tempo no ventre do peixe. Ele é um Deus amoroso que deseja ardentemente lhe restaurar. Volta Jonas! Pastor Elias Fortes

sábado, 24 de setembro de 2011

BOAS NOVAS

Milhares de pessoas estão no analfabetismo bíblico não sabem na essência o que significa as Boas- Novas. Quando os cristãos falam do evangelho de Jesus Cristo, do quê estamos falando afinal?
    As escrituras nos dão várias definições quanto ao quê é as Boas Novas. E devemos usar essas definições bíblicas para determinar se o verdadeiro evangelho de Cristo está vivo em nossas igrejas nos dias atuais. Jesus diz que a Sua igreja é uma igreja de autonegação e de cruz. O Senhor disse a Pedro: "Se alguém quer  vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me" (Mateus 16: 24).
    Milhares de vidas, por que um dia aceitou a Jesus, professam crer nEle, julgam estar salvo, e que não há mais nada para fazer.
   Jesus diz que pertencer à Sua igreja é muito mais do que isso. Precisamos ter o compromisso de segui-Lo. E isso envolve viver  uma vida de autonegação e tomar a nossa cruz todos os dias. "Quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim" (Mateus 10: 38).
    O que isto significa? "Se você está na minha igreja, então fique preparado para sofrer e ser perseguido por sua fé em Mim. Fique preparado para negar a fama, a aceitação e a procura dos prazeres do mundo. As pessoas vão te pregar numa cruz de ridicularização, numa cruz de condescendência, numa cruz de alienação. E vão fazer isso porque você tem fome e sede de Mim. Se você pertencer à minha igreja, uma cruz certamente se seguirá todos os dias".
    Esquecemos rapidamente que a igreja de Cristo nunca foi aprovada ou aceita pelo mundo. Se você viver genuinamente para Jesus, não terá de se separar da companhia dos outros, eles o farão por  você pode acreditar nisso! Tudo que terá de fazer é viver para Ele. De repente, você se verá acusado, rejeitado, chamado de indigno. Verão os homens "vos odiarem e... vos expulsarem da sua companhia, vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome como indigno, por causa do Filho do homem" (Lucas 6: 22).
    Mas, não fique preocupado, pois Jesus nos conforta com essa palavra: "Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa acha- la- á" (Mateus 16: 25). Em essência Jesus esta dizendo: "A única maneira de se encontrar significado na vida é fazer a entrega total do seu tudo para Mim. Então você encontrará alegria, paz e satisfação jamais encontrada na sua vida".
   As Boas Novas de Jesus nos diz: você precisa querer deixar todos os seus pecados. Você precisa submeter tudo a Mim, morrer integralmente para o ego, a toda ambição ímpia; pela fé, você será sepultado comigo. “Mas Eu o levantarei para uma nova vida". “A fim de apresenta- lá a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Efésios 5: 27).
    Pense no que significa não ter mácula ou ruga. Sabemos que uma mácula é uma mancha. Mas e a ruga? Você já ouviu a expressão, "uma ruga nova"? Significa acrescentar uma idéia nova a um conceito pré-existente. A ruga, dentro deste  sentido, se aplica aos que tentam colocar um melhoramento no evangelho. Sugere um modo fácil de se alcançar o céu, sem total redenção a Cristo.
 Esse é o tipo de evangelho que está sendo pregado em várias igrejas atualmente. O “evangelho das rugas” onde os sermões têm objetivo de apenas atender as necessidades das pessoas. Mas ao ler as palavras de Jesus, vejo que este tipo de pregação não funciona. Não atende à obra genuína do evangelho.
    Não sou contra pregar consolação e força ao povo de Deus. Como pastor do Senhor, sou chamado a fazer exatamente isso. Mas se eu pregar só às necessidades das pessoas, e ignorar o chamado de Cristo para oferecermos nossas vidas, então às necessidades verdadeiras jamais serão atendidas. As palavras de Jesus são claras: “As nossas necessidades são preenchidas unicamente se morrermos para nós mesmos, e tomarmos a Sua cruz”.
  A igreja de Jesus é onde os pecadores se arrependem dos pecados, com o coração e a boca. Jesus declara, "A minha igreja é o local de arrependimento sem acanhamento, aberto". Em verdade, Paulo atesta:  "A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé que pregamos. Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para a justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação. Porquanto a Escritura diz: Todo aquele que nele crê não será confundido"  (Romanos 10:8-11).
Simplificando, somos levados à salvação através de nossa aberta confissão de arrependimento. Jesus afirma:  "Não vim chamar justos e sim pecadores [ao arrependimento]" (Mateus 9: 13). E diz, o arrependimento é o modo pelo qual somos curados e restaurados:  "Os sãos  não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar os justos, e sim pecadores ao arrependimento" (Lucas 5: 31- 32). 
     Meu precioso leitor; essas são as boas novas. Jesus está nos dizendo: "Na minha igreja, todos são curados através do arrependimento. Não importa quem são - os alquebrados fisicamente, os emocionalmente enfermos, os doentes espirituais. Todos têm de vir a Mim do mesmo modo. E todos acham cura através do arrependimento".
Eu lhe pergunto: quantas igrejas ainda abrem os altares para que os feridos no coração venham à frente e se arrependam? Quantos pastores pararam de fazer apelos para essa obra espiritual de tão suma-importância? E quantos crentes perderam todo o senso quanto à necessidade de confessar os pecados?
     Então, qual é a mensagem central do evangelho de Cristo? Ele a torna simples por todo Mateus, Marcos, Lucas e João. Nestes quatro evangelhos, Jesus nos diz, "Minha mensagem fala sobre arrependimento. É esta a mensagem que deve ser pregada na minha igreja e a todos os pecadores".
Primeiro de tudo, "Foi Jesus... pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho" (Marcos 1: 14- 15). Jesus pregou arrependimento.
   Para alguns cristãos, isso pode soar estranho. Eles podem responder, "Tudo bem, mas será que Jesus pregou arrependimento com tanta intensidade mesmo?". Lucas responde isso em seu evangelho. Jesus diz aos Seus ouvintes, "Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis" (Lucas 13:5). 
  Bem vindo à igreja da consternação piedosa. Você pode achar que o evangelho do arrependimento proclamado por Cristo soa depressivo. Mas Paulo vê de outro jeito. O coração arrependido traz vida real:  "A tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar" (2 Coríntios 7: 10). Infelizmente, muito crentes estão sentindo a tristeza do mundo, pois estão em busca da felicidade terrena, é por esse motivo que milhares de crentes são superficiais, sem vida, crentes de plásticos!
   O arrependimento estava também no coração do primeiríssimo sermão após a ressurreição de Cristo. Pedro diz às multidões reunidas no Pentecostes, "Jesus, o Nazareno... vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos" (Atos 2: 22- 23).  Quando o povo ouviu isso, caiu sob poderoso convencimento (da parte de Deus- NT).  A palavra pregada fulminou os corações, pois o Espírito Santo havia vindo em todo o Seu poder. E segundo Jesus, essa é a específica obra do Espírito. Ele diz que o Espírito Santo "convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo" (João 16: 8).  A multidão foi tocada de tal modo, que não conseguia se mexer. De repente, diante deles estavam os pontos cruciais da vida e da morte. Então gritam para Pedro, perguntando o que deveriam fazer. Ele responde: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados... Salvai-vos desta geração perversa" (Atos 2: 38- 40). Esta passagem ilustra o arrependimento no centro da mensagem de Jesus. Se inexistir convencimento na mensagem - se não há verdade quanto ao pecado e à culpa, se inexiste fustigação do coração - então o Espírito Santo simplesmente está ausente. Ele simplesmente não está presente nesta pregação.
     Quantos pastores, optaram por um “evangelho cheio de rugas”, novas formulas para atraírem os “fiéis”, seus sermões não tem o convencimento do pecado, tornando- os responsáveis pela alma de milhares e milhares de cristãos. Os membros da igreja ficam imersos no pecado, e suas iniqüidades crucificam Cristo novamente todos os dias. Essa é a maior tragédia do cristãos. O que essas pessoas precisam é de uma mensagem vinda de um pastor que não tenha medo de dizer: "Você pecou contra Cristo". Mas ocorre exatamente o contrário. As pessoas são em realidade reafirmadas em seus pecados por pastores condescendentes.
   Ezequiel diz o seguinte sobre esses pastores: "Com falsidade entristecestes o coração do justo, não o havendo eu entristecido, e fortalecestes as mãos do perverso para que não se desviasse do seu mau caminho e vivesse" (Ezequiel 13: 22). O profeta está dizendo: "Vocês entristeceram o justo com pregação frívola. E fortaleceram o sensual para pecar ainda mais - sem culpa. Vocês lhes deram mentiras sobre a vida eterna. Não! Vocês estão roubando a vida eterna destas pessoas. Vocês transformaram a graça de Deus em lascívia".
    Paulo diz que o dia do juízo logo virá. E por essa razão, devemos pregar o evangelho com ainda mais convicção, com o aproximar desse dia. Devemos reprovar e repreender, e fazê-lo com longanimidade e amor. Em verdade, chega o dia quando todo pastor estará diante do Senhor e dará contas de tudo que pregou. Teria ele entristecido o coração do justo? Fortaleceu a mão do perverso? Ou, será que trouxe uma palavra sem medo, convincente, sob unção santa? Ou será encontrado em seu “império particular”
    O fato é que Pedro não estava interessado em ofender a multidão no Pentecostes. Seu único propósito era  mostrar-lhes a verdade. E quando o Espírito Santo revela a verdade, Ele convence. Ele vai ao fundo, e expõe a raiz de todas as áreas do coração. 
   É triste, mas isso não está acontecendo em muitas igrejas nos dias de hoje. Não só não está presente o Espírito Santo nestas igrejas, como também não é bem-vindo. “Pessoas que estão dentro das igrejas que ainda mantém seus vícios, seus adultérios, suas fornicações, sua trapaças. O pastor não diz uma palavra sobre pecado, até porque são “bons dizimistas”. Nunca há uma palavra que traga convencimento, que explique a necessidade do poder purificador e libertador de Jesus. Então essas pessoas saem da igreja ainda mais confortável em seus pecados”. 
    Recentemente minha sobrinha estava vestida de caipira então perguntei: “A onde você vai vestida assim?” Ela me respondeu! “Vou à igreja, (Igreja Evangélica e tradicional) pois, hoje tem festa Country, haverá danças sertanejas, touro mecânico e crentão, (uma versão do quentão feito com vinho alcoólico). Conseqüências? Um pouco ela houve hinos evangélicos e musicas de ímpio. Ela tem nove anos, o que sabe a  respeito  da salvação? Nada!
     Segundo Jesus, ninguém pode ser liberto do pecado - ninguém é confrontado com a verdade - sem a presença e o poder convincentes do Espírito Santo.
    A igreja de Jesus é onde se pode ouvir uma mensagem dura e perturbadora.
Imagine essa cena, com Jesus falando aos Seus seguidores:  "Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram e, contudo, morreram; quem comer esse pão viverá eternamente. Estas cousas disse Jesus, quando ensinava na sinagoga...Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Mas Jesus, sabendo por si mesmo que eles murmuravam a respeito de suas palavras, interpelou-os: Isso vos escandaliza?" (João 6: 58- 61).
Note que Cristo estava falando a crentes aqui. Qual foi o duro discurso ao qual reagiram? Foi:  "Vocês precisam comer da minha carne e beber do meu sangue, caso contrário não terão vida em si. A minha carne é o pão, e o meu sangue é a bebida. E a vida eterna vem unicamente consumindo-os". 
   Agora, o evangelho amistoso com os pecadores diz: "Você não pode pregar uma coisa assim. O pecador nunca vai entender isso. Beber sangue e comer carne? Eles vão pensar que somos bárbaros. Temos de mudar as palavras para torná-las mais palatáveis. Caso contrário, isso vai ofender as pessoas, especialmente os não-crentes".
   Na verdadeira igreja de Cristo haverá palavras ofensivas. Sim, nessa igreja você ouvirá uma mensagem de boas novas, um evangelho de amor, misericórdia, graça e longanimidade. Mas na igreja de Cristo há também mensagens que não se ousa falsificar. E estas mensagens incluem a pregação do sangue e da cruz de Cristo.
Jesus viu que as pessoas se chocaram com Suas palavras. Então pergunta a elas, basicamente: "Eu ofendi o seu raciocínio? Vocês ficaram incomodados por lhes dizer a verdade?". E então afirma: "As palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida" (Jo. 6: 63). Ele deixa claríssimo: "Exatamente isso que os ofende é que traz vida". Como os Seus seguidores responderam?  "À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele" (João 6: 66).
O quê Jesus está dizendo sobre o Seu evangelho aqui? Em termos simples, Ele está declarando que a mensagem do Seu sangue e da cruz é ofensiva. Contudo é o único evangelho que leva à vida eterna. Mesmo assim, alguns não o aceitarão. "Contudo, há descrentes entre vós" (6: 64).
    É muito triste, mas algumas igrejas removeram qualquer referência ao sangue de Cristo nos cultos. Os pastores não o mencionam nos sermões. Os hinos sobre o sangue foram removidos da igreja. É tudo considerado muito ofensivo. Recentemente ouvi um comentário de um "ministro de louvor" sobre o hino da harpa cristã187. Mais Perto, Meus Deus, de Ti! "Esse hino é para cantar em cemitério, é um hino de morto". O que falar de muito "Louvores" atuais?
  Mas Jesus avisa, "Não importa o quanto as minhas palavras possam parecer ofensivas. Vocês não as podem mudar. As minhas palavras produzem vida. E vocês têm de consumi-las como alimento ou bebida, para torná-las a essência de cada fibra do seu ser. Portanto, não devem amaciar o que Eu disse. Se removerem o sangue e a cruz de minha pregação estará amputando a única esperança de vida eterna daqueles que a buscam. A mensagem de salvação pelo sangue só pode ser compreendida através do Espírito Santo. Mas ela tem de ser pregada mesmo se for mal compreendida. Então, mantenham a ousadia e preguem o meu evangelho, não importa qual seja a receptividade que terão. É a única Palavra que salva".
Vemos uma cena similar em Mateus.  "Chegando à sua terra, ensinava-os na sinagoga... E escandalizavam-se nele" (Mateus 13:54, 57). Mesmo o círculo íntimo de discípulos de Jesus foi a Ele dizendo que Sua mensagem era ofensiva:  "Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram?" (15: 12). Nessa cena, não foi o povo que foi ofendido, foram os líderes religiosos. Aparentemente, as multidões recebiam o que Jesus dizia. Mas os pastores ficaram horrorizados.
    Se pertencermos à igreja de Cristo, vamos ouvir mensagens fortes de convencimento que ofenderão nossa carne. Se você está na igreja de Jesus, então mensagens duras estarão vindas do Espírito Santo. Por quê? Porque o Espírito grita em nós contra tudo que pensamos, dizemos ou fazemos e que seja da carne. Jesus diz:  "Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias" (Mateus 15:19).
E, o sinal de qualquer  verdadeiro seguidor de Jesus é que ele se rende a toda palavra de Cristo. Tal servo ama a repreensão por causa daquilo que ela produz em seu coração. Ele vê a transformação que ela traz, e sabe que é vida para ele.
     No fundo, é também por isso que o pecador vai à casa de Deus. Não é só para ser contado como um a mais num grande grupo. É para ser achado por Deus, porque no coração ele sabe que está perdido. Sua alma não descansa, e ele passou muitas longas noites em claro. Ele quer respostas, verdade, mudança real, pois sente que está destinado ao inferno. E não precisa que um crente ou um ministro diga que ele está bem.
É claro que se esse pecador ouvir o evangelho de Cristo poderá ser ofendido por ele. Pode ficar bravo, e sair batendo os pés. Mas não esquecerá o que ouviu. E o Espírito Santo usará isso para lhe revelar a verdade.
Todos nós aprendemos que Cristo é a pedra fundamental da Sua igreja. Paulo diz que essa pedra é uma rocha de escândalo:  "Como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço, e rocha de escândalo, e aquele que nela crê não será confundido" (Romanos 9:33).  Pedro também chama Jesus de rocha de ofensa:  "...pedra, angular e: Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes" (I Pedro 2:7-8).
Pedro poderia lhe dizer por experiência própria o que acontece quando se tenta abolir a mensagem da cruz. Ele se ofendeu quando Jesus previu Sua morte aos discípulos. Então, "Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá" (Mateus 16:22).
Mas Jesus lhe responde com  palavras agudas: "Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das cousas de Deus e sim das dos homens" (16: 23).
    Este é um exemplo claro de como Satanás pode induzir ao erro até mesmo um pastor piedoso que ame a Cristo. E acredite! Pedro nunca esqueceu as palavras do Mestre. Igualmente hoje, todo ministro e todo crente deve guardar a advertência de Cristo: "A minha cruz e o meu sangue podem te ofender. Mas se você tem vergonha da minha mensagem, ou se tentar amaciá-la, então você é uma ofensa a mim. Você não representa a minha Palavra ou a minha igreja, você não passa de uma pedra de tropeço".
    Como você acha que Jesus começaria uma igreja em sua cidade? Com milhões gastos em propaganda? Mega shows com estruturas a altura de “artistas internacionais”?
     A primeira coisa que Cristo faria seria ir chorando por toda a cidade. As escrituras dizem, "Quando ia chegando, vendo a cidade (Jerusalém), chorou e dizia: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos" (Lucas 19: 41- 41).
O quê fez Jesus chorar? Começou com uma caminhada que fez pela cidade, e que lhe partiu o coração. Ele foi batido pela dor que sentiu vendo os assim chamados religiosos não tendo paz. Eram pessoas que rejeitaram a verdade em favor de fábulas. E agora seguiam uma forma morta de religião. Eram ovelhas sem pastores reais.
Ora, não estou aqui para julgar pastor algum. Mas quero perguntar a todos que estão lendo essa mensagem: você consegue imaginar o seu pastor dirigindo o carro em meio à sua cidade e chorar por ela? Como é diferente a imagem que Jesus nos dá, em relação a tantos projetistas e planejadores construindo igrejas atualmente. Eles vão de porta em porta, pesquisando as pessoas, perguntando o quê querem numa igreja: "Quanto tempo deve durar o sermão em tua opinião? Quinze minutos? Dez?".
Jesus testemunhou um esquema assim em Seus dias. Ao caminhar pelo templo, viu mesas de cambistas, ministros que mercantilizavam as coisas de Deus.  Não havia oração real, não havia temor do Senhor. E Cristo chorou por tudo isso, clamando: "Está escrito: A minha casa será casa de oração. Mas vós a transformastes em covil de salteadores" (Lucas 19: 46).
Eu lhe pergunto: Jesus iria chorar pelo que vê em sua igreja hoje? Ele iria encontrar o seu pastor se angustiando pelas almas perdidas? Ou o encontraria lucrando com coisas que são santas aos olhos de Deus? Cristo iria encontrar o Seu povo orando? Ou os veria ocupados em negociações e programas, promovendo "marchinhas" para Ele e se concentrando nos próprios interesses? Uma vez concluído o andar choroso pela cidade, será que Ele iria elogiar o Seu povo? Ou iria trazer essa advertência: "Vocês estão cegos aos tempos. O juízo está às portas, mas vocês mais do que nunca se assemelham ao mundo. Por que não estão orando, Me buscando para terem força e sabedoria para remir o tempo?".
Queira Deus que nós nunca amaciemos o Seu evangelho. Se você tem um pastor que prega o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo, por favor: encoraje-o. E ore por ele.  Agradeça ao Senhor porque o pastor que lhe foi designado não conta com pregadores “artistas famosos” verdadeiros cambistas, para trazer multidões e levar apenas o dinheiro da igreja.
    O melhor remédio para uma igreja enferma é uma dieta missionária. Você consegue sentir a presença do Espírito Santo em sua igreja? Então anuncie as Boas- Novas em nome de Jesus! Pois, quando o nosso coração está cheio da presença de Cristo, a evangelização é tão inevitável quanto contagiante. Pastor Elias Fortes