sexta-feira, 17 de agosto de 2012

TANQUE DE BETESDA


O Brasil é um país místico e obcecado pelo sobrenatural. Esta é uma das razões porque muitos movimentos religiosos questionáveis crescem tanto por aqui. A realidade é que grande parte dos brasileiros vive correndo atrás da astrologia, adivinhações, consultas aos mortos, duendes, gurus, reencarnação, idolatria e todo tipo superstições  se não bastasse tudo isso vemos em nossas igrejas um movimento descriminador, na qual chamamos de “agito das águas”.
     Em João capitulo 5 versículo 2 nós lemos: “Ora, existe em Jerusalém, próximo à porta das ovelhas, um tanque chamado em hebraico Betesda, o qual tem cinco pavilhões”. Quando Jesus passou pelo tanque de Betesda, que significa; Casa de misericórdia divina. Ele viu que os judeus o haviam transformado aquele lugar em um grande centro de peregrinação, esse tanque era alimentado por uma corrente de água e em certas ocasiões a água se movimentava. Uma agitação inexplicável de água e era atribuída a um anjo invisível que liberava poder de cura no tanque, e o primeiro enfermo que entrasse era curado. João faz uma narrativa exatamente como o povo vivia essa experiência.
     O tanque de Betesda havia sido transformado em uma espécie de Aparecida- judaica. Milhares de paralíticos, aleijados, deficientes, aguardavam as águas serem agitadas para serem curados. A Bíblia descreve os cinco pavilhões que foram construídos para proteger e abrigar as multidões em torno desse tanque. João narra: “Um anjo descia em certo tempo, e agitava a água. O primeiro que entrasse no tanque, depois do movimento da água, sarava de qualquer que tivesse” (João 5: 4).
      A agitação da água criava uma reação em massa. Milhares de pessoas se amontoavam em volta daquele tanque. Nesse “movimento” Jesus vê uma cena terrível de egoísmo e insensibilidade. Pois, os que chegavam primeiro nesse “agito” eram os mais fortes, os mais astutos, os que tinham poder aquisitivo. Os pobres tinham que ficar do lado de fora, sem ter a mínima chance de fazer parte desses “movimentos”.
      João faz a narrativa de um pobre aleijado que há trinta e oito anos não tinha a chance de entrar no “agito das águas”, sempre alguém chagava a sua frente. Note que não havia ninguém para ajuda- ló nessa “roleta russa da sorte”. Na realidade, as curas no tanque de Betesda só aumentavam a angustia e o desespero dos mais necessitados. Imagine caravanas de doentes, que caminhavam dias para receber a cura, mas ao chagar próximo do tanque se deparavam com um sistema egoísta. “... Enquanto estou tentando entrar, desce outro antes de mim” (João 5: 7b).
      Se o templo estava infestado de cambista e salteadores, imagine como deveria estar em volta do tanque de Bestada. Crio que havia vendedores de todos os tipos, barraquinhas de souvenirs religiosos espalhado em volta do tanque, “comércio da desgraça alheia”. Pedro alertou: “Por ganância farão de vós negócio, com palavras fingidas...” (2 Pedro 2: 3a).
       Não é exatamente isso que estamos presenciando em nossas “casas de misericórdia divina” hoje? Milhares de pessoas são atraídas com a promessa que suas “águas serão agitadas”, o que temos presenciado em nossas concentrações de fé e em nossos seminários de fogo? Você já notou as barraquinhas com os souvenirs? Os cambistas religiosos? O comércio a “céus aberto”?
       Foi exatamente isso que O Senhor Jesus viu! Uma multidão de pessoas angustiadas, sofrendo em seu corpo, sendo manipuladas por um sistema discriminador. Bem! Não é de agora que o povo de Deus tem sido enganado por esses “ilusionistas da Fé”, verdadeiros “mágicos espirituais”. Em Atos capitulo 8 versículo 9 e 10 esta a seguinte narrativa: “Estava ali certo homem chamado Simão, que anteriormente exercerá naquela cidade a arte mágica, e tinha iludido a gente de Samaria. Dizia ser um grande homem, e todos o atendiam, desde o menor até o maior, dizendo: Este é o grande poder de Deus”. Não é exatamente isto que estamos ouvindo? “Venham ver! Este é o poder de Deus. Pois se não fosse não haveria cura”. Martinho Lutero escreveu: "Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias".  
       Que cena lamentável, pois se tratava do povo de Deus, um povo com promessas maravilhosas, agora milhares estavam deitados junto a um tanque cheio de águas com um movimento terrivelmente discriminador, eles não discerniram que estava ali. Isaias profetizou: “Nunca terão fome nem sede, nem a calam nem o sol os afligirá. Aquele que se compadece deles os guiará e os levará mansamente aos mananciais das águas” (Isaías 49: 10). Essa multidão de pessoas havia esquecido o “... Deus que te sara” (Êxodo 15: 26b).
        O tanque de Betesda nos revela uma multidão de pessoas sofredoras e cegas espiritualmente às promessas de Deus. Isaías profetizou: “Os pobres e necessitados buscam água, mas não há: a sua língua se seca de sede. Mas eu, o Senhor, os ouvirei; eu, o Deus de Israel, não os desampararei. Abrirei rios nos altos desnudos, e fontes no meio dos vales. Tornarei o deserto em açudes de água, e a terra seca em mananciais” (Isaías 41: 17- 18).
       Essa multidão não estava ali apenas devido aos seus pecados, embora esse traga moléstias e enfermidades. Mas para que Deus recebesse glória, se eles tivessem crido em suas promessas. “Os discípulos de Jesus perguntaram: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais, mas isto aconteceu para que se manifestem nele as obras de Deus” (João 9: 2- 3).
       Este homem paralisado representa milhares de crentes impotentes e em situações de desespero que é atraído com a promessa do “movimento de suas águas”, mas que é deixado de lado, gerando nele uma mágoa e sofrimento. Ouço com frequência esta queixa “ninguém vem me visitar”, “ninguém se importa comigo, não me cumprimentam na saída do culto”. Infelizmente há muitas pessoas insensíveis dentro das igrejas, alheia aos sofrimentos, que não são capazes de enxergar os mais fracos e necessitados e que vivem mentalmente e espiritualmente como aquele homem deitado, paralisado junto ao tanque de Betesda.
       Por outro lado, temos dentro de nossas igrejas aqueles conformaram com seu sofrimento, muitos dos que sofrem não conseguem sobreviver sem o seu sofrimento e a sua dor. A Bíblia nos ensina: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas” (Salmos 34: 19). Porém, há pessoas que gostam de “abraçar o sofrimento” e dele não quer largar mais. Se Jesus a curar, ela não teria mais nada para falar, para quem ela ira reclamar?
      Note que Jesus faz a seguinte pergunta: “... Queres ser curado?” (João 5: 6). Creio que aquele homem havia desistido de sua cura, por isso a pergunta! Afinal já havia se passado trinta e oito anos, e o sofrimento pode transformar as pessoas, deixando- as mais amorosas como também pode transforma- las em resmungões e egoístas. Observe a resposta desse homem: “Respondeu- lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque quando a água é agitada...” (João 5: 7a).
      Quantas vezes ouvimos essas mesmas palavras em nossas igrejas? “Se alguém” fosse me visitar, “ninguém” se importa comigo, “se alguém” me desse oportunidade, “ninguém” me da oportunidade. Este homem não estava atrofiado apenas fisicamente, mas mentalmente e espiritualmente devido à amargura por ter sido deixado de “lado”. Quantas vidas se encontram nessa mesma situação nos dias de hoje?
       Porque Jesus foi atraído até esse Homem? Eis aqui a resposta: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar as boas- novas aos pobres. Envio- me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e abertura de prisão aos presos” (Isaías 61: 1). Jesus sempre foi e sempre será atraído onde estiver os mais fracos e necessitados.
       Jesus não reprendeu esse homem devido a sua amargura ou autocomiseração, simplesmente o Mestre, olha para esse homem deitado a trinta e oito anos e faz jorrar a sua misericórdia em sua vida, pelos olhos da fé possa “ver” a alegria desse pobre homem agora se tornará um ex- paralitico quando Jesus disse: “... Toma a tua esteira, e anda” (João 5: 11b).
       Glória Deus! Jesus continua acolhendo os desafortunados, aqueles que não podem chegar ao “movimento das águas”, o amoroso Jesus não fez nenhuma exigência moral a esse homem, apenas que ele cresce em sua palavra: “... Toma a tua esteira, e anda”, mais tarde Jesus o encontrou no templo, agora Jesus lhe ordena: “... Olha, agora já estás curado. Não peques mais, para que não te suceda coisa pior” (João 5: 14).
      Louvado Seja Deus! Foi no tanque de Betesda esse pobre irmão foi encontrado. Já se passaram dez anos, Lembro- me de minha vó, uma serva leal ao Senhor, (esta com Cristo), ela cuidava de um rapaz que vivia nas ruas, ela providenciava roupas limpas, alimentos e muito amor de Cristo. Com seu carrinho de reciclável ele ganhava a vida, quando minha vó estava no leito de enfermidade, ele foi visita- lá lembro- me de suas palavras: “Irmã Catarina! Eu lhe trouxe um presente para a senhora”, e entregou para aquela serva, dois pacotes de bolachas. Ela olhou para ele e disse: “Não precisava meu filho, você gastar o seu dinheiro comigo”. Nunca vou me esquecer da sua resposta: “Estava chovendo, os papeis estão molhados, foi o que eu ganhei, mas se eu tivesse mais dinheiro eu compraria um presente muito melhor para a senhora, pois a irmã merece”.
     No culto de Santa Ceia passada eu tive a honra de rever o Leonelson, após dez anos sem ter noticia dele, a mensagem daquela noite era “Não olhe para aparência, pois Deus sonda os corações”. Louvo a Jesus pelas “casas de misericórdias divinas” espalhadas pelo nosso país.                                                                                                                                                                                                                                                               Foi no tanque de Betesda que aquele homem foi desafiado a tomar a maior decisão de sua vida. Ele recebeu uma palavra de esperança, a Vida em abundancia havia chegado até ele. Em essência Jesus lhe disse: “Levanta pela fé; se curado, junte- se aos vivos... ou então fique deitado em sua auto- piedade e morra sozinho”. Creio que este irmão respondeu a Jesus com as seguintes palavras: “Senhor! Baseado unicamente na tua Palavra eu me levantarei desta fragilidade que me aleija... mas a partir de agora eu sempre caminharei contigo”. “Levanta- te, resplandece, pois já vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti” (Isaías 60: 1). O desejo da minha alma é que, esta Palavra se cumpra em sua vida! Pastor Elias Fortes

Um comentário:

  1. palavra muito forte e profunda pastor.mexeu com toda a minha estrutura fisica e espiritual.que Deus continue lhe abençoado neste ministerio da palavra...AMÉM.

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Meu exemplo de fé, amor e dedicação a obra do Senhor. Catarina Santos Fortes.

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"Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos". (Salmos 116: 15). Precioso em hebraico significa "valioso, necessário". Significa que Deus precisa deles. Suas mortes são necessárias aos eternos propósitos. Paulo declarou ousadamente: "... será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte... estais firmes... e que em nada estais intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles a prova evidente de perdição, é, para vós outros, de salvação". (Filipenses 1: 20b, 27, 28). Segundo o apóstolo Paulo, o sofrimento e a morte, sinais de desgraça aos olhos do mundo, são para os crentes libertação. "A memória do justo é abençoada, mas o nome dos ímpios apodrecerá". (Provérbios 10: 7).

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